Por Por Sinézio Alcântara - Expressão Notíci
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Diretor da empresa que prestava serviços de assistência médica do setor de oncologia do Hospital Regional de Cáceres, o médico Eduardo Marques Lima diz que é vítima de perseguição política. Afirma que além de deixar milhares de usuários da região sem atendimento oncológico, o Estado, através da Secretara de Saúde realiza uma auditoria com informações desencontradas com objetivo de prejudica-lo. Ele contesta as informações do secretário Luiz Soares, assinalando que “esse senhor está tentando jogar a população contra o trabalho que já foi feito no setor”.
JE – O senhor poderia nos explicar detalhadamente o que realmente está acontecendo com o setor de oncologia do Hospital Regional de Cáceres?
EM – Pois não. A empresa da qual faço parte do quadro societário firmou contrato com a Associação Congregação Santa Catarina em junho de 2012, e até outubro do ano passado vinha desempenhando a assistência médica do setor de oncologia do Hospital Regional de Cáceres. Após a saída da OSS da administração do hospital, o Estado assumiu, e por questões políticas começou uma perseguição a minha pessoa e a meu trabalho. Primeiro fizeram a dispensa dos serviços prestados pela empresa que represento, deixando milhares de usuários da região oeste do estado sem atendimento oncológico, depois resolveram realizar uma auditoria em meus serviços, mas até agora não temos a resposta do resultado da auditoria.
JE – Qual é a situação dessa auditoria?
EM – É uma situação bem estranha, quando decidiram realizar a auditoria eu fui o primeiro a achar que seria um ponto positivo, porque poderíamos mostrar para a população o que realmente foi prestado de serviços médicos no setor de oncologia do Hospital Regional. Mas ai veio a dor de cabeça, a auditoria realizada nunca foi concluída para mostrarmos o que realmente ocorreu, e para meu espanto, somos surpreendidos pelo Secretário Estadual de Saúde com informações desencontradas que seriam oriundas da auditoria. Mas ai eu pergunto: Como informações de uma auditoria pública realizada pela SES pode ser repassada a agentes políticos antes da divulgação a população em geral? Em razão disso, tenho muito receio de ocorrer discrepâncias na auditoria com o objetivo único de me atingir e colocar a sociedade contra a minha pessoa.
JE – O secretário Luiz Soares disse que a empresa que o senhor é responsável recebia seiscentos mil reais por mês, e que a atual empresa que está atuando no Hospital Regional recebe trezentos mil para fazer o mesmo serviço. Isso procede?
EM – Lógico que não! Este senhor está tentando jogar a população contra todo o trabalho que já foi feito no setor de oncologia do Hospital Regional. Tenho toda a documentação que comprova que a empresa que represento recebia em média o valor de trezentos e vinte e cinco mil mensais. Esse valor era utilizado para o pagamento dos vencimentos dos sete médicos que trabalhavam no setor, e as despesas do projeto “entre laços e abraços” que levava atendimento médico nas cidades da região oeste sem nenhum custo aos usuários. Ou seja, nunca existiu pagamento de seiscentos mil reais mensais para a nossa empresa prestar serviço no Hospital Regional.
JE – O secretário de Saúde também vem divulgando que foram realizadas cirurgias sem o diagnóstico de câncer. O que realmente aconteceu?
EM – Mais uma vez está ocorrendo uma deturpação dos fatos. No contrato que firmamos com a OSS, e está à disposição da população e de qualquer órgão de controle, existe um anexo com um rol de procedimentos cirúrgicos que a empresa que represento poderia realizar no Hospital Regional de Cáceres. Neste rol, existe a previsão que realização de cirurgias que não possuem diagnóstico vinculado a existência de um câncer no paciente.Isto está previsto no contrato! E como existia uma demanda reprimida, nos eram encaminhados pacientes com os diagnósticos de doenças cirúrgicas que tinham previsão no contrato, e a cirurgia era feita, e o benefício é de quem estava há anos, às vezes, esperando por uma cirurgia pelo SUS, por não ter como pagar. Me sinto orgulhoso por termos ajudado tanta gente com nosso trabalho. Ressalto que em nenhum momento foi feito algum pagamento a empresa que represento sem a prestação do serviço médico, e que em nenhum momento foi feito pagamento de cirurgia que não estava previsto no contrato. O que fizemos, foi ajudar pessoas, tratar o ser humano com respeito e dignidade, fomos resolutivos.
JE – Qual a expectativa do senhor nesse momento?
EM – Quero mostrar para toda a população a verdade dos fatos, preciso que seja realmente divulgada a sociedade a auditoria realizada pela SES, acabando essa conversa de gabinetes de políticos, e irei confronta-la se houver alguma tentativa de manipulação.
JE – O Senhor pensa em continuidade do trabalho desenvolvido?
EM – Lógico que sim! A população carente de nossa região estava sendo beneficiada com muita eficiência. Solucionamos o déficit de diversos procedimentos cirúrgicos existentes antes da nossa chegada, e é uma perda lastimável não ter mais o serviço da forma como tinha antes. Tentei continuar o atendimento no Hospital São Luiz, mas o Escritório Regional não me forneceu autorização, nem se manifestou formalmente sobre a negativa, o que me pareceu claramente uma perseguição. Tenho recebido diariamente manifestações de apoio e descontentamento com o atual atendimento, e isso me deixa muito triste. Essa postura adotada pela SES só traz prejuízo a população, que é o lado mais fraco de toda essa história.
JE – O senhor tem mais alguma consideração?
EM – Tenho a dizer que estou com a consciência limpa do trabalho de desenvolvi a frente do setor de Oncologia do Hospital Regional de Cáceres. Trabalhei sete anos em Cáceres sem abrir consultório, me dedicando exclusivamente ao SUS e gostaria de continuar esse trabalho, mas fui impedido. A empresa que represento foi retirada do Hospital Regional de forma contundente, sem nenhuma justificativa e não foi permitido que participássemos de nenhuma concorrência para continuar prestando o serviço. Em tempo, vou lutar com todas as forças para não deixar que alguns políticos de nosso estado consigam enganar a população e “jogar lama” em todo trabalho desenvolvido por minha equipe. Inclusive estou pronto para promover qualquer medida seja administrativa ou judicial com relação a estes fatos.